Doação de córneas ainda registra baixo número de doadores

No Paraná, fila chega a 720 pacientes à espera do órgão

por Eduardo Godoy

A Secretaria de Estado de Saúde do Paraná aumentou, em maio, de 65 para 70 anos a idade limite para doação de córneas. Com isso, os profissionais da saúde esperam que o número de doações também aumente. Hoje, 720 pessoas estão na fila para receber o órgão no Paraná. Segundo a coordenadora da Comissão Interna de Captação de Órgãos da Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, Tânia Mara Brito, a doação de córneas ainda é baixo.

“Ainda são poucas famílias que autorizam a doação, principalmente pela questão religiosa, medo que deforme o corpo do paciente e até receio que o hospital venda os órgãos captados”, conta a coordenadora. Somente pacientes que têm morte encefálica podem ter as córneas retiradas. Na morte encefálica, apenas o cérebro perdeu sua função e os outros órgãos estão funcionando normalmente.

Tânia explica que a córnea pode ser retirada até oito horas depois da morte, entretanto a equipe tenta fazer todo o procedimento com menor tempo possível. “Temos que abordar a família, fazer o exame de sorologia, para averiguar ser o paciente não tinha outras doenças que incapacitam a retirada, e o contato com o Hemepar, em Curitiba”, explica. A captação das córneas é feita por uma equipe de médicos do Hemepar, que vem da capital para Ponta Grossa e depois leva os órgãos para o hospital em que o paciente compatível que irá receber está internado. A fila respeita a ordem de chegada do paciente e é única em todo o Paraná.

Para receber qualquer órgão, os pacientes devem ser compatíveis, como idade, peso e altura aproximada, além de serem do mesmo sexo. Na morte encefálica, para doar, o paciente não pode ter tatuagem, ter usado drogas, ser ex-presidiário ou ter HIV positivo. “O paciente que tem um destes fatores é considerado do grupo de risco, principalmente para HIV positivo. Portanto, não podemos transplantar um órgão que possa ter outros problemas”, esclarece a coordenadora da Comissão.

“Quando um familiar morre, a última coisa em que os responsáveis pensam é ajudar aos outros com a doação”, conta Tânia. Segundo ela, para evitar que se percam possíveis doadores, a equipe da Comissão Interna de Captação de Órgãos procura manter vínculo com a família e com os pacientes. “Eu, como assistente social, passo todos os dias em todos os quartos e enfermarias para visitar os pacientes. A maioria a gente conhece pelo nome. A gente tenta que nosso vínculo seja o máximo possível para, na hora de falarmos sobre doação, não seja tão dolorido”, explica.

Em Ponta Grossa, os hospitais habilitados para fazer a captação de córneas são o Hospital Bom Jesus e a Santa Casa de Misericórdia. Se você quer ser um doador, avise sua família.

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