Coleta de embalagens de agrotóxicos tem aumento de 11% em relação a 2010

Em Ponta Grossa são 10 mil toneladas diárias destes materiais recebidos pela Assocampos, central regional de recolhimento

por Eduardo Godoy

Os agricultores brasileiros encaminharam, de janeiro a setembro de 2011, 27.336 toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos para o destino ambientalmente correto, através da logística reversa, chamado Sistema Campo Limpo, segundo dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias – InpEV. No mesmo período de 2010 foram destinadas 24.681 toneladas de material, representando um crescimento de 11%. Somente em setembro deste ano, foram retiradas do campo 2.366 toneladas de embalagens.

Os estados que mais fizeram a destinação correta são a Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo, representando 80% do volume nacional. As embalagens vazias de agrotóxicos podem causar risco de saúde às pessoas, além de contaminação do meio ambiente. Como a maioria das embalagens é lavável, é fundamental a prática da lavagem para a devolução e destinação final correta.

O Sistema Campo Limpo conta com 421 unidades de recebimento, sendo 113 centrais e 308 postos, espalhados pelo Brasil, além de ações itinerantes.Em Ponta Grossa, a central fica sob responsabilidade da Associação dos Revendedores de Insumos Agropecuários dos Campos Gerais – Assocampos. De acordo com o gerente da entidade, Nilson Lacerda, a capacidade de recebimento diário da associação é de 12 mil toneladas, mas a média é de 10 mil toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos recolhidas por dia. “O número grande é porque, além de ser uma potencial região produtora de alimentos, nossa central agrega Ponta Grossa e outros 14 municípios”, conta o gerente. As cidades atendidas são Castro, Carambeí, Piraí do Sul, Jaguariaíva, Sengés, Tibagi, Imbaú, Reserva, Telêmaco Borba, Ipiranga, Teixeira Soares, Palmeira, Porto Amazonas e Doutor Ulysses.

Lacerda explica que as obrigações são divididas entre quatro setores da produção. Para o fabricante, fica a função de financiar a destinação correta às embalagens. Para as revendas e cooperativas, o papel é montar associações para o recebimento dos materiais. Já para o poder público, a meta é fiscalizar o processo, enquanto para o produtor fica a responsabilidade de fazer a lavagem correta da embalagem e enviar para uma central ou posto de recolhimento. Os grande fabricantes que atuam no Brasil criaram o ImpEV justamente com a função de associar as indústrias de agrotóxicos e dividir os custos.

Após o uso das embalagens, o agricultor deve realizar o procedimento de lavagem de acordo com o tipo de material. De acordo com o engenheiro agrônomo Cyrus Augustus Moro Daldin, primeiro pesquisador brasileiro a publicar artigo científico sobre lavagem de embalagens de agrotóxicos, existe a Lavagem Pressão e a Tríplice Lavagem. Ele explica que na primeira, após o esvaziamento, o produtor tem que encaixar a embalagem no local apropriado do funil instalado no pulverizador e então aclonar o mecanismo para liberar o jato de água limpa. Depois disso, deve direcionar o jato de água para todas as paredes internas da embalagem por 30 segundos. A água de lavagem dever ser transferida para o interior do tanque do pulverizador. “Logo após fazer tudo isso, deve então perfurar o fundo, tornando a embalagem plástica ou metálica inutilizável e guardar de modo adequado até a remoção para a central de recebimento”, conta o engenheiro pioneiro.

Já na Tríplice Lavagem, comenta Daldin, mais conhecida por ser a mais utilizada, o produtor deve esvaziar totalmente o conteúdo da embalagem no tanque do pulverizador. Então, adicionar água limpa à embalagem até 1/4 do seu volume. Depois tem que tampar bem a embalagem e agitar por 30 segundos e despejar a água da lavagem no tanque do pulverizador. “O processo deve ser repetido mais duas vezes. Após isso, também inutilizar a embalagem plástica ou metálica, perfurando o fundo e alojando de maneira adequada até o envio para a central”, diz.

As embalagens vazias devem ser devolvidas juntas com suas tampas e rótulos. O transporte é por conta do agricultor, que, quando reunir uma quantidade que justifique o transporte, envie para a central de recebimento. Ele tem o prazo de até um ano depois da compra para devolver as embalagens vazias e com os cuidados de lavagem necessários. Se sobrar produto na embalagem, poderá devolvê-la até seis meses após o vencimento. Os materiais que não passam pelo processo de limpeza são encaminhadas para incineradores especializados.

No Paraná, a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental – SUDERHSA / Instituto Águas do Paraná é responsável pelo credenciamento dos postos de recebimento e das centrais de triagem, além de participar nos programas de educação ambiental. O licenciamento e fiscalização dos postos e centrais é função do Instituto Ambiental do Paraná – IAP.

Mesmo com todos estes procedimentos, o país discute ainda a implantação de um novo Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que teve audiência pública em Curitiba no início de outubro. Entre os assuntos debatidos está o cumprimento de ações já firmadas pelos municípios até 2014. Segundo o Chefe Regional da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ronaldo Lucas Becher, um dos pontos fundamentais no PNRS é a implantação obrigatória em todos os municípios de aterros sanitários controlados, além do cumprimento e fiscalização da destinação correta de embalagens de agrotóxicos. “O Plano deve entrar em vigor até junho de 2012, quando alguns prazos para os municípios se adequarem já esgotarão”, esclarece Becher. De acordo com ele, está é mais uma ação que “fortalece o comprometimento brasileiro com a preservação do meio ambiente”.

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